JANELA DA ALMA
No começo do documentário a primeira impressão que veio em minha cabeça, que falaria sobre á visão. Dos 19 entrevistados cada um mostra seu jeito diferente de enxergar, pois nem todos eram totalmente cegos alguns tinham apenas miopia. O documentário não se resigna a tratar da visão (ou da falta dela) a partir de um lado pessimista ou limitador do que é o enxergar. É por esse motivo que o primeiro depoimento apresentado foi de Hermeto Pascal, músico multinstrumentista. Ele não consegue fixar os olhos em um único objeto. Suas pupilas se mexem ininterruptamente em diferentes direções, o que o faz descrever com bom humor, que sua vista é rica, porque enxerga mais. Para ele a visão você enxerga na imaginação e ouve pela nuca, até ele fez um comentário bem engraçado, pois não conseguir olhar para uma moça só.
O próximo comentário foi do escritor José Saramago, Para ele, a visão limitada do homem o faz ser como é. Até faz uma parábola e imagina que se Romeu tivesse os olhos de falcão, provavelmente não se interessaria por Julieta, já que ele enxergaria muito mais defeitos do que o olho humano é capaz de fazê-lo. Saramago também abordar, por exemplo, como surgiu a idéia para escrever Ensaio sobre a Cegueira, quando se perguntou como seria o mundo se todos fossem cegos. De acordo com sua reflexão, a resposta é que já somos tendo em vista à total desordem que assola o mundo, o desafeto, a miséria etc.
A cineasta Agnès Varda,a parte mais marcante dela é a hora q ela fala que fez a cirurgia nos olhos mais que ninguém percebeu a diferença,pois tudo isso ela levava dentro dela o preconceito.
A animadora Marjut Rimminen fala não do que vemos, mas de como somos vistos. Todo o trabalho dela com cinema de animação são pautados pelo sentimento de ser vista como alguém incapaz, uma pessoa a ser excluída ou subestimada por sua deficiência, e o depoimento dela fala de como tal sentimento influenciou sua vida e até proporcionou seu sucesso.
O filósofo esloveno Evgen Bavcar queira falar com suas fotografias. Bavcar se tornou cego após dois acidentes de guerras. O documentário o fotógrafo em ação, fazendo fotografias e medindo com as mãos o foco, tateando o espaço entre a câmera e a modelo. Mas há um determinado trecho que é revelador, quando Bavcar mostra as fotos que fez de sua sobrinha no campo. Enquanto ela corria com um sininho, ele podia seguir seus movimentos através do som. Ele explica que fotografou, na verdade, o barulho desse sino, que não aparece nas fotos. Assim, ele estaria fotografando o invisível.
O poeta Manoel de Barros, “a transfiguração é a coisa mais importante para o artista”. Ele diz isso explicando que o modo como enxerga fisicamente o mundo não influencia seu trabalho. Sendo um poeta que reinventa a língua, ele julga que o entrevistador gostaria de ouvir dele algo diferenciado sobre sua maneira de ver. Mas ele é enfático dizendo que seu trabalho é sobre a palavra. E embora seus poemas pareçam tortos, sua visão não é.
O vereador cego Arnaldo Godoy, de Belo Horizonte, conta com ótimo humor como é a vida sem enxergar nada, a hora que ele conta que deixou a filha dele cair no mar e pegou ela porque viu um vulto preto.
Os cineastas Win Wenders, com sua visão particular a respeito do olhar, conotam a perspectiva, seleção de imagens e até mesmo seu enquadramento pela retina. Ele relata que ao experimentar pela primeira vez lentes de contato, sentiu-se desconfortável, pois percebeu que precisava do enquadramento proporcionado pela armação dos óculos.
Paulo Cezar Lopez, professor de literatura, ele comenta sobre o olhar humano e do olhar animal cada um olha de um jeito e limite diferente.
Oliver Sacks,neurologista para ele a experiência é carregadas de emoções,emoção pessoal.
O que eu entendi do filme, que cada um pode enxergar de um jeito diferente, mostra-nos que o ver ou enxergar, não é simplesmente ter a visão, mas o ver além do que os olhos possam enxergar como sentimentos, vontade de descobrir o novo sem medo do preconceito e sim ver com a alma.